
Porque isso sempre acontecia. Quando finalmente sentia-se bem, lá estavam aquelas coisas constrangedoras para lembrá-la que nunca o deixaria de amar. Pois sim. Por mais que Ana Paula se divertisse, se distraísse, superasse e ignorasse quatro meses de sua vida, tudo aquilo com que ela sonhou acontecia. Ou quase tudo.
Eram ocasiões únicas, que, impulsionados pela covardia, nada faziam. Podia ser um olhar mais longo e intenso, que a enrubescia, que não conseguia sustentar. Nem mesmo um novo namorado, ou pseudo-namorado resolvia. Já não estava desacompanhada, nunca. Fernando sempre estava ao seu lado, não fisicamente, claro, poucos minutos semanais possuíam, mas em sua fértil e infeliz imaginação. Conhecia-o tão bem, tão a fundo, por atenta observação e convivência. Sabia, ou previa cada palavra, cada gesto, cada expressão; podia ouvir sua risada, a entonação de sua voz e seu jeito de andar. Sem dúvida, muito melhor seria se o tivesse em carne, osso e alma ao seu lado, realmente realizando todos esses atos minuciosamente imaginados. Sem dúvida, muito melhor seria. Mas se conformava com sua presença irreal, e acreditava que com isso, a saudade do que não se teve, fosse suprimida ao menos. Ana Paula: obcecada por Fernando (parecia estar escrito em sua testa).
Ora, pensava ela, só se apaixonava por pessoas estranhas e com alguma síndrome. Talvez o problema fosse ela. Não, o problema era ela, sempre foi. A única pessoa com alguma síndrome era ela: Síndrome por Síndromes. Muito criativo.
Desconfiou de ciúmes. Desconfiou que estivesse apenas perdendo tempo com as pessoas. Estava certa, perdera tempo demais, oportunidades mil. Afastou-se de seus supostos pretendentes que geravam fofocas. Afastou-se também daqueles que não geravam nada mais que flertes nas noites claras.
Chegou a seu auge de aflição quando trancafiou em uma sacola escondida em algum lugar esquecido todas as lembranças palpáveis de Fernando, seguido de uma limpeza total em seu computador. Então, chegou a seu auge de nostalgia quando passou a escrever longos textos sobre como era para ter dado certo, sobre como era uma bela história inacabada, contos sobre pessoas que se desencontraram, palavras de depressão, animação, suspiros perdidos e poemas sem nexo. Não contentada por apenas escrever, procurou leituras e músicas. E os transcrevia para um caderno que separara para coisas inesquecíveis. Outro objeto inútil, agora continha lembranças alheias, letras de canções, e seus próprios textos. Ria de si mesma.
Ele conseguia a confundir ainda mais. Sempre assim. Cansou-se das indiretas não entendidas, cansou-se das rejeições inconscientes, cansou-se de ser a amiga leal. Respirou fundo e decidiu apenas uma vez: Uma pena, um desperdício enorme, algo que será incompleto eternamente, e aquele enorme ponto de interrogação; mas já fizera tudo que lhe era possível, certo? Pois então, agora era a Bela Adormecida. E acabara de ser espetada por uma agulha afiada e encantada. Esperaria pela atitude do Príncipe Encantado. Era a vez dele, ela já o conhecera já se apaixonara. Mas não sabia se outro apareceria se talvez um simples plebeu se dispusesse a salvá-la. Príncipes não são todos fortes e galantes. Tampouco o seu era. Péssima metáfora, assim por dizer.
Ora, ele que largasse mão de ser indeciso e reticente! E ela que aprendesse a esquecer as pessoas intangíveis de uma vez.
Concluiu o que sempre estivera certo, o que tentara dizer em todos os seus textos perdidos: Ana Paula era covarde demais para tomar alguma atitude drástica.
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Dentre todos os textos da série, esse é o mais rídiculo e repetitivo. Finalmente cheguei ao ponto que ‘empaca’ tudo. Nem preciso falar o quanto foi horrível escrevê-lo, simplesmente porque a imaginação estancou e a habilidade com palavras se perdeu. Então, a série Fernando&AnaPaula encerra aqui mesmo. Nessa porcaria que nem eu nem ninguém gostou. Se aparecer algo massa de lecals (o que não acontecerá) para dar um final decente, escreverei e postarei aqui imediatamente. Então, a descargo de consciência, declaro (a meu único leitor) que it’s over. (y) Tenho que me conformar que não haverá um final feliz ou um jeito de tudo dar certo pra esses dois desencontrados. Não consigo desenvolver a história.
Então… Ela estava com outro. Já deveria esperar. Porque a surpresa, se também continuara sua vida? Ela não se importava mais, era o que sabia. Aquele abraço na frente dele, em seguida a aliança no dedo. Não sabia o que fazer. Quando se encontraram mais cedo naquela mesma noite, sentira uma alegria imensa ao vê-la, chegou a cantar, dançar e sorrir, fazendo-a sorrir e mostrar os dentes brancos e perfeitos, ao contrário dos seus. Não conseguira dizer seu nome: “Ana Paula”. Nunca conseguira. Era algo aquém de suas capacidades, pois tentava evitar esse “nada” que sentia com ela. Por ela. Mas era isso. Foi burro o suficiente para se deixar afetar, simpatizar por uma carta, por uma garota tão… Estranha, diferente. Não o era o ‘seu’ tipo. Mal tinham afinidades. Ela não era engraçada, era desastrada, falava por vezes baixo demais, não parecia se importar muito com a aparência, escutava músicas estranhas e falava de coisas esquisitas. Mas ultimamente estava diferente.



