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Recaída

21/05/2009

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Porque isso sempre acontecia. Quando finalmente sentia-se bem, lá estavam aquelas coisas constrangedoras para lembrá-la que nunca o deixaria de amar. Pois sim. Por mais que Ana Paula se divertisse, se distraísse, superasse e ignorasse quatro meses de sua vida, tudo aquilo com que ela sonhou acontecia. Ou quase tudo.
Eram ocasiões únicas, que, impulsionados pela covardia, nada faziam. Podia ser um olhar mais longo e intenso, que a enrubescia, que não conseguia sustentar. Nem mesmo um novo namorado, ou pseudo-namorado resolvia. Já não estava desacompanhada, nunca. Fernando sempre estava ao seu lado, não fisicamente, claro, poucos minutos semanais possuíam, mas em sua fértil e infeliz imaginação. Conhecia-o tão bem, tão a fundo, por atenta observação e convivência. Sabia, ou previa cada palavra, cada gesto, cada expressão; podia ouvir sua risada, a entonação de sua voz e seu jeito de andar. Sem dúvida, muito melhor seria se o tivesse em carne, osso e alma ao seu lado, realmente realizando todos esses atos minuciosamente imaginados. Sem dúvida, muito melhor seria. Mas se conformava com sua presença irreal, e acreditava que com isso, a saudade do que não se teve, fosse suprimida ao menos. Ana Paula: obcecada por Fernando (parecia estar escrito em sua testa).
Ora, pensava ela, só se apaixonava por pessoas estranhas e com alguma síndrome. Talvez o problema fosse ela. Não, o problema era ela, sempre foi. A única pessoa com alguma síndrome era ela: Síndrome por Síndromes. Muito criativo.
Desconfiou de ciúmes. Desconfiou que estivesse apenas perdendo tempo com as pessoas. Estava certa, perdera tempo demais, oportunidades mil. Afastou-se de seus supostos pretendentes que geravam fofocas. Afastou-se também daqueles que não geravam nada mais que flertes nas noites claras.
Chegou a seu auge de aflição quando trancafiou em uma sacola escondida em algum lugar esquecido todas as lembranças palpáveis de Fernando, seguido de uma limpeza total em seu computador. Então, chegou a seu auge de nostalgia quando passou a escrever longos textos sobre como era para ter dado certo, sobre como era uma bela história inacabada, contos sobre pessoas que se desencontraram, palavras de depressão, animação, suspiros perdidos e poemas sem nexo. Não contentada por apenas escrever, procurou leituras e músicas. E os transcrevia para um caderno que separara para coisas inesquecíveis. Outro objeto inútil, agora continha lembranças alheias, letras de canções, e seus próprios textos. Ria de si mesma.
Ele conseguia a confundir ainda mais. Sempre assim. Cansou-se das indiretas não entendidas, cansou-se das rejeições inconscientes, cansou-se de ser a amiga leal. Respirou fundo e decidiu apenas uma vez: Uma pena, um desperdício enorme, algo que será incompleto eternamente, e aquele enorme ponto de interrogação; mas já fizera tudo que lhe era possível, certo? Pois então, agora era a Bela Adormecida. E acabara de ser espetada por uma agulha afiada e encantada. Esperaria pela atitude do Príncipe Encantado. Era a vez dele, ela já o conhecera já se apaixonara. Mas não sabia se outro apareceria se talvez um simples plebeu se dispusesse a salvá-la. Príncipes não são todos fortes e galantes. Tampouco o seu era. Péssima metáfora, assim por dizer.
Ora, ele que largasse mão de ser indeciso e reticente! E ela que aprendesse a esquecer as pessoas intangíveis de uma vez.
Concluiu o que sempre estivera certo, o que tentara dizer em todos os seus textos perdidos: Ana Paula era covarde demais para tomar alguma atitude drástica.

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Dentre todos os textos da série, esse é o mais rídiculo e repetitivo. Finalmente cheguei ao ponto que ‘empaca’ tudo. Nem preciso falar o quanto foi horrível escrevê-lo, simplesmente porque a imaginação estancou e a habilidade com palavras se perdeu. Então, a série Fernando&AnaPaula encerra aqui mesmo. Nessa porcaria que nem eu nem ninguém gostou. Se aparecer algo massa de lecals (o que não acontecerá) para dar um final decente, escreverei e postarei aqui imediatamente. Então, a descargo de consciência, declaro (a meu único leitor) que it’s over. (y) Tenho que me conformar que não haverá um final feliz ou um jeito de tudo dar certo pra esses dois desencontrados. Não consigo desenvolver a história.

Ciúmes

28/04/2009

3257188228_449d679c36Então… Ela estava com outro. Já deveria esperar. Porque a surpresa, se também continuara sua vida? Ela não se importava mais, era o que sabia. Aquele abraço na frente dele, em seguida a aliança no dedo. Não sabia o que fazer. Quando se encontraram mais cedo naquela mesma noite, sentira uma alegria imensa ao vê-la, chegou a cantar, dançar e sorrir, fazendo-a sorrir e mostrar os dentes brancos e perfeitos, ao contrário dos seus. Não conseguira dizer seu nome: “Ana Paula”. Nunca conseguira. Era algo aquém de suas capacidades, pois tentava evitar esse “nada” que sentia com ela. Por ela. Mas era isso. Foi burro o suficiente para se deixar afetar, simpatizar por uma carta, por uma garota tão… Estranha, diferente. Não o era o ‘seu’ tipo. Mal tinham afinidades. Ela não era engraçada, era desastrada, falava por vezes baixo demais, não parecia se importar muito com a aparência, escutava músicas estranhas e falava de coisas esquisitas. Mas ultimamente estava diferente.
Afinal, encontrou alguém que a queria. Alguém que não a magoaria. Alguém que provavelmente conseguia falar seu nome sem se sentir idiota por isso. Ele talvez segurasse suas mãos quando estivessem geladas como o habitual. Talvez, Ana… Paula assopre as mãos quando muito próxima dele, como sempre fazia com Fernando.
Fato: estava demorando demais para Fernando também achar alguém que seja capaz de segurar mãos sem parecer ter subido a temperatura bem uns 20º.
Não poderia ser sinal de paixão. Não era. Era aquele “nada” que tinham. Uma relação confusa, sem amor, sem paixão. Pois então, pareciam dois desconhecidos obrigados a compartilhar da mesma sala fechada por 5 meses. Ou mais. Sabia que amor traz paz. Quando se ama uma pessoa, sente-se paz com ela. Não deve se inquietar, ficar nervoso, mudar o humor ou algo do tipo. Ama-se uma pessoa quando se vê que ela é uma das poucas que lhe tranqüiliza, acalma, e conforta, mesmo que ela não saiba como consolar. Isso é amor.
Convencia-se o tempo todo disso, ou tentava. Como, afinal, fora parar nessa situação? Estava preso a alguém que ele próprio rejeitava, e agora, nem isso faria mais, pois não lhe pertencia mais nada.
Droga, já refletira sobre tudo isso. Tudo. Várias vezes. E todas as vezes chegava a mesma conclusão: maldita dependência. Precisava também de alguém para segurar as mãos e sorrir-lhe sempre. Alguém para lhe abraçar quando sentisse frio, e blá blá blá.
Conseguiria estar com outra pessoa, como ela, e não se importar? Não pensar nessa coisa platônica? Ah, ela se importava, sabia disso! Aqueles olhos castanhos flamejantes não mentiam. Ou era o que se enganava o tempo todo. Via o que queria ver.
Então, se não tinha algo. Se eram como dois desconhecidos que dividiram uma sala fechada por cinco meses, por que Fernando se machucava tanto com o fato de outro poder tocar os lábio de Ana Paula. E principalmente: porque não tentava sequer demonstrar tudo aquilo que sentia, ou deixava de sentir, como assim pensava que fosse.
Sentiu-se triste por isso. Sentiu-se vazio por isso. Mas o que poderia fazer? Provavelmente mais estrago do que já fizera.

Substituição

02/04/2009

Pensou que fosse ser mais díficil que isso. Talvez fosse, mas o choque inicial ainda a deixava inebriada com a possibilidade de se perderem lembranças. Ana Paula, desde o inicio prometera-se não chorar, não esquecer de uma de suas experiências mais confusas. O primeiro amor ainda era amor, cría, mas o fato de se obrigar a superá-lo era quase impossível em sua visão. Mas estava fácil até demais. A partir do momento em que os pensamentos românticos e imaginativos começaram a abandonar sua mente, logo sobreveio uma alegria inexplicável. Sempre adorara a natureza e os momentos em que o sol e as montanhas se juntam, e agora religiosamente assistia à todas as auroras e crepúculos. Fotografava a tudo, cada momentos. Encontrava uma beleza viva em cada coisa, e logo a imortalizava em sua câmera já velha demais. Sua vaidade não mudara, com exceção dos motivos para tanto. Sempre se vestia, pintava, arrumava os cabelos, ajeitava o porte e mantia sua pele sempre essencializada com seus perfumes favoritos para tentar fazer com que Fernando a notasse. Tão logo cedo descobrira que não importavam quantas roupas da moda comprasse, se cortasse ou mudasse a cor do cabelo, se andasse corcunda ou ereta, se era fedida ou cheirosa: ele não se importava. Então, passou a preferir algo mais confortável. Sempre se vestira do mesmo jeito, desde antes de se apaixonar, e não mudaria agora, decidiu. Voltou com as calças jeans, camisetas e tênis. E não se alterara em nada, a não ser que dedicava cada vez mais tempo para isso. Minusciosamente escolhe as melhores combinações, ou as mais diferentes e as ajeita em seu corpo e um processo lento demais para ser relógio mental acelerado.
Dizia-se que Ana estava mais brilhante agora que decidira parar de perseguir Fernando. As especulações diziam que ela havia se declarado e a rejeição fora um balde de água fria, e supostamente estaria a procura de um par, já que seu ideal fora frustrado. Especulações, que fique bem claro.
De fato, além das olheiras terem desaparecido, estava cada vez mais sociável e logo conseguia romper seu grupo fechado. Conversava e fazia amizade com todos. E sua popularidade crescia. A guinada em sua vida foi rápida e grande demais para perceber como estava mudando a cada dia mais.
Estava a cada dia mais satisfeita com os pequenos prazeres, como acordar de logo ver o céu pela fresta da janela. Caminhar durante a manhã e sentir o calor confortante do sol em sua pele. O sabor das frutas, o cheiro das flores noturnas, a textura dos objetos e pessoas. Concentrava-se ao máximo nessas pequenas coisas prazeirosas. Cada livro que lia, cada filme que assistia, cada palavra escrita e dita eram feitas com concentração e capricho. Tornava-se cada vez melhor em suas tarefas habituais ou não. Adiantava-se e já não se perdia nos lugares. Mais longe do que jamais estivera.
Já os pensamentos ocultos de Ana Paula, contavam em não ver a pessoa que a fizera passar por tantas emoções intensas em um período de tempo proporcionalmente curto. A cada encontro, parecia cada vez mais dificil ignorar. A saudade era grande, mas reprimida. Por isso tantas distrações, preocupando-se com outras pessoas e problemas era mais fácil. Ainda o amava, sabia disso. Nunca deixaria de amar. Pertenciam um ao outro, mas não era isso que a realidade real dizia.
Não condiz com o orgulho retornar. E agora que começara, não terminaria.
Sofresse ou não. Precisasse ele dela ou não. Ela tentava recuperar sua dignidade, mas isso não aconteceria por completo enquanto ele não perdesse a dele.

Repasse e falta

12/03/2009

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A dura realidade de sua ausência era aterradora. Fernando não sabia o que fazer, agora que Ana Paula saíra de sua vida. Apenas sentia um vazio imenso, que o corroía como um monte de cupins. Estava se tornando cada vez mais oco. Nem o trabalho, a segunda faculdade e sua família o distraía. Estava cada vez mais sem vida. Grandes olheiras ocupavam o lugar do que antes eram as bordas de seu grande e largo sorriso. Seus olhos haviam escurecido, e desconfiava que o fato de chorar enquanto dormia estava já prejudicando sua visão. Logo teria de voltar a usar óculos.
Evitava pensar nela, no nome dela. Mas era quase impossível. Não queria se esquecer dela, de seu cheiro, do som de sua doce voz, de como era passar a mão em seus longos cabelos, da textura de sua pele e principalmente de sua expressão satisfeita cada vez que o via. Por que só agora percebia o quanto fora importante para ele? Como não desconfiara antes que ela o amava? Agora tudo era tão claro, os sinais eram óbvios, não haviam segredos.
Acostumado a tê-la sempre ao seu lado, logo notou como fazia falta alguém para conversar e rir. Tão logo também foi se tornando cada vez mais calado. Escutava, falava ‘hums’ e ‘ahhs’ na hora certa, quiçá ria; mas não era a mesma coisa, definitivamente. Tinha desenvolvido uma espécie de mutualidade com Ana, e sequer tinha percebido.
O que mais lhe doía, porém, era sua própria fraqueza. Orgulhoso como sempre fora, por sair de relacionamentos sem algum machucado, não se conformara ainda por estar completamente arrasado por alguém que nunca passara de uma boa amiga, não houvera um beijo. A dor era quase física.
Buscava distrações ao longo do dia. Mas eram apenas o que deveriam ser: distrações. Breve a realidade caía sobre seus ombros, agora cansados e baixos.
Inicialmente, tivera vontade de sucumbir e chorar por dias a fio, a carta de despedida de sua gentil amiga, apaixonada por ele. Ela dizia para não ter medo dela. Como ter medo? Não sabia ao certo se já sentira isso alguma vez, ou se isso tinha sentido. Toda sua vida até o momento parecia obscura, embaçada. Conseguia ver alguns pontos de luz, e preferia não pensar quem poderia ser esses faróis na escuridão.
Sabia que seus sentimentos estariam incompletos até vê-la novamente, conversar com ela novamente. Ou, se como a mesma prometera, ao longo do tempo ambos superariam e logo se esqueceriam; não para sempre, por favor. Primeiros amores não devem nunca serem esquecidos. Uma vez amando uma pessoa, amá-la irá por toda eternidade. O amor pode parecer diminuir, peder um pouco de seu brilho original, mas continuará ali, como uma chama não finita. Uma vez acesa, pode ficar menor, ou não produzir tanto calor; mas não se apaga.
Mas no momento, Fernando não sentia chama alguma, estava frio demais. Faltava-lhe um calor que só uma pessoa poderia devolver. E ela não fazia ideia disso.

Primeira Carta.

14/02/2009

“Querido Fernando,

Não estranhe tudo o que direi a seguir, afinal, você já devia saber.
Já tem um tempo que todos dizem isso, e agora te envio esta carta confirmando. Sim, eu tenho sérias quedas por você. Sérissimas, arrisco. Me faz cair e tropeçar a cada minuto, me distraem a ponto de, quando eu ver, ter perdido completamente o senso de direção. E me machucam, muito. Quedas doem. E a cada vez que flutuo para mais perto de você, mais alto é. Preciso mesmo citar aquele velho ditado? Minha sorte é ter sempre um hospital por perto.
Eu falo demais, rio de mais, choro demais. E deixo de pensar no restante do tempo. Quero dizer que é incrível sua capacidade de me prender a atenção, até mesmo depois que nos separamos, continuo enjaulada nos seus poucos olhares. É completamente patético. Mas, rídiculo mesmo, é eu gostar tanto do jeito como você fala, de como me olha, de como sua expressão adquire forma única quando se chateia com algo. Sabe, é bonito.
Uma vez, pensei que tudo isso, essa besteira toda, fosse amor. Então esperei por alguma prova definitiva. Algo mudaria a qualquer instante, algo não sairia do jeito certo, e você mudaria também. Esperava que quando isso acontecesse, eu desiludisse.
Pois é.
A prova veio. Você mudou. Mas eu não mudei. Não houve desilusão; acredito que isso se deva ao fato de eu ter me impedido de criar quimeras suas. Apenas a realidade, nua e cruel: Se não era amor, estava a caminho de ser. Isso foi bem doloroso.
Tentei esquecer. Nunca tive e nunca terei chances com você, estou ciente disso. Você, querido, é casado com o trabalho e com sua família. Não poderia nunca abandonar isso, ainda mais agora, que sua irmã irá se casar. Além do mais, nosso fluxo de ideias é completamente diferente. Portanto, logo me expurguei de esperanças.
É muito egoísmo da minha parte, escrever uma carta assim e ter ganas de mandá-la. Mas simplesmente não sei outra maneira de lhe falar. Então, não sinta por mim. Já disse, sem esperanças. Acontece apenas que chega um ponto no qual é impossível guardar tudo para si mesma; e mais cedo ou mais tarde, tudo acaba explodindo. Não fiz nada antes por medo de perder sua amizade. Não seria por mal, mas conhecendo-lhe como sei que conheço, você se afastaria, certeza. E cada segundo perto de você é precioso.
Você me atura, apenas. Sei disso. Quem gosta de uma pessoa que parece te seguir e fica vermelha a cada frase?
Espero não ter coragem de entregar essa baboseira toda. Mas se tiver, não leve a mal.

Amo-te.
Ana Paula.

P.S.: Não precisa ter medo de mim, tá? Não vou tentar mais nada. Não precisa ter receio de me machucar, já estou anestesiada a essa altura. “

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