Posts de Outubro, 2009

no diminutivo

30/10/2009

Estou tão tristinha.
Não é por nada, sabe. Penso que é cansaço.
Cansaço de quê. De viver, deve ser.
Eu, aqui, pequeninha. E esse mundo aí, pensando já ser grandinho.
Tanta gentinha, cheia de razões.
Querendo fazer justiça, mas é tudo tão injusto, ah!

Ando meio que desanimadinha, viu.
De tudo dar tão errado, nada ser certinho até o fim.
Acho coisas que não deveriam estar nem ser. Tudo fora do lugar.
Desordem. Desordem é o que há no meio do caminho.
É o que acontece no meu quarto, na casa, na rua, na cidade, no País.
Tudo, tudo tão desorganizadinho.

Estou com tanta tristezinha, talvez seja por causa da vida.
Talvez o motivo seja a física.
Porém continuo a pensar, que, quem sabe, seja apenas saudadinha.
De quê. A riminha é ridicula, mas é você.

mente vazia

26/10/2009

Duas amigas:
- Tô com uma vontade de
- Eu também!
- Então, vamos?
- Ah, não sei não. Li por aí que não é nada legal ficar fazendo essas coisas sempre, que prejudica a saúde.
- Preconceitos, querida. Preconceitos.
- Será?
- Claro! Eai? Na minha casa ou na tua?
- Hum. Na minha, né. Comprei leite condensado pra-você-sabe-o-quê.
- Humm, delícia… Você manja mesmo dessas coisas, viu!
- Anos e anos de experiência.
Riem e vão andando.
Juntou a fome com a vontade de comer e cozinharam uma bela torta de frango, seguida de muito brigadeiro.

E ainda depois reclamam que estão engordando.

banalizante.

25/10/2009

E esse sou eu, abandonando meus sonhos. Acabei de sair do prédo cinza. Lá haviam homens e mulheres quietos. Haviam máquinas barulhentas. Amanhã voltarei lá, e depois e depois e depois.

Provavelmente passarei toda a minha existência frequentando o prédio cinza, algumas vezes aos fins de semana e de madrugada. Ou melhor, frequentarei até minhas costas quebrarem, meus braços caírem e meu rosto enrugar. Então me levarão para outro prédio cinza abarrotado, me entregarão requerimentos, e passarei a velhice pobre visitando bancos cheios de gente de olhos cansados e muita ira.

Bom, talvez eu tenha um gato. Talvez eu tenha uma mulher que me arrume a cama, cozinhe e me ame. Talvez eu tenha a mulher errada, e sonhe por toda a vida com a menina dos olhos castanhos. Mas não posso sonhar, abandonei essa hábito.

Mas esse, agora, sou eu abandonando minhas ilusões. Descobri que o homem de terno preto e cara fechada não gosta de mim.

Descobri também que estão informatizando tudo, e que logo nos substituitão por máquinas. Mas que diferença fará? Nenhuma.

Estou chocado, no prédio cinza corre o boato que o prédio marrom irá demitir a todos os funcionários humanos. Que sorte eles têm!

E esse sou eu, neste momento, desistindo da realidade. Não tenho sentimentos há muito. Não me importo muito se o prédio verde contratou pessoas. O prédio cinza é o mesmo.

Também me vejo o mesmo no espelho. Talvez um pouco mais gordo, comparei-me com algumas fotos antigas, que depois joguei fora. Bom, e também aparecem alguns fios brancos, logo meu cabelo ficará tão cinza quanto meu apartamento que quitei ontem mesmo.

E esse sou eu, desistindo mesmo da loucura. Deixei o prédio cinza, comprei máquinas com a miséria suada e feudal que me rendia. Nada mais preciso. Deixei tudo.

As pessoas não se vêem mais. Não há realidade. Ao menos é o que me parece, não tenho visto muitas pessoas.

Acho que irei morrer. Me encontrarão três semanas depois e dirão apenas: “é um morto, oras!”. Irei passar o tempo que puder na rua, mas não farei barulho. Há anos não uso da voz, sou silencioso.

Esse sou eu sendo comido por esses vermes nojentos na sarjeta. Abandonei meus sonhos, ilusões, realidade e loucura. E fui feliz na morte.

mente, lamentemente.

25/10/2009

Isso é triste.
Eu digo: não me ame.
E você… insiste.
Diz que me espera.

Espera, o quê?
Que eu deixe de amarga ser?
Que eu me apaixone de novo,
por quem? Por quê?

Querido, é triste.
Me faz versos, prosas,
músicas e declarações.
Você se faz de cego.

Diz depois, que sou cruel.
Ficou tão amargo quanto eu.
Lhe avisei: não me ame.
Sou feita de fel.

O avisei.

23/10/2009

Irás descobrir que dentro da tristeza permanente e solitária, podes sorrir. Teu rosto irá doer e teu coração resistir, mas irás sorrir. E quem quer que seja o abençoado que receber esse sorriso, irá retribuir-lhe. O mundo é pequeno, quente e monótono, querido.
Verás cores, então. Cores, cores para todos os lados. Antes tudo tão cinza. E o sol, mesmo que na chuva , também te sorrirá.
Não penses que isso é felicidade. Não é. Isso é a descoberta de vida dentro da tristeza. Quantos dias – que mais parecem anos, admita – sentiste que estavas morto? Morte em vida, como chamam. Diga, quantos?