Posts de Agosto, 2009

do mundo platônico

31/08/2009

- De novo, você está fazendo de novo.

- O quê?

- Essa sua mania de ficar olhando pro nada, ouvindo nada, completamente alheia.

- Algum problema?

- Sim. É estranho.

- Não fico “away” à toa, sabe. Se você também visse a quantidade de idiotas que nos rodeia, também iria desejar ver e ouvir nada.

- Pessimista. Nem todos são assim.

- Puxa, não custa nada você me entender. Apenas olhe ao seu redor, cheio de estupidez. Até mesmo os que parecem mais lúcidos, observe por mais de 15 minutos e verá todo o potencial para estúpidos. É frustante, sabe. E eu sou mais estúpida ainda por insistir em ver isso e só se agrava quando tento fugir, entrando em estado apático.

- Pare com isso, você não é estúpida, e poucos nessa sala o são também, eu observo, sabe, e conheço essa gente. De todos, você é a única que vive tentando fugir da realidade, isso não a torna estúpida, mas convarde. Por que foge tanto assim dos fatos?

- Você é um idealista. E se eu me escondo em meu mundo platônico, talvez seja porque eu veja demais a realidade, e saiba o quanto é rídicula e triste. Nunca pensou nisso?

- Imaginei. Isso não te faz bem algum, sabia?

- Eu sei. Até demais.

admiro-te e amo ardentemente

30/08/2009

Exatamente.
Não quero saber como tu me vês em tua mente.
Amo-te de tal modo que não posso mais conter.
Não me importa quais segredos tu possas esconder.
Amo-te de forma que estais sempre virtudes a resplandecer.
 
Se honra tal me concedestes,
De teu amor devolver-me, como uma vez fizestes,
Pobre criança que serei.
Maravilhada, certamente estarei.
 
De teu amor, não abusarei
Saberei usar com orgulho e de razão
Prometo-te, não em troca a amarga ingratidão.
 
Que por ora, me tens: impensadamente.

tudo free

28/08/2009

Coisas de graça, inutilidades de brinde

Amor comprado, afeto vendido

Sorrisos falsificados, humor sem graça

Pensamentos (à)amostra

Um amor sem preço

Que não se encontra em lojas

Que não vêm na promoção

Que é produto órfão

O gostar de graça, amar

Por vir tão fácil, vulgar

De nada serve, de nada importa

E o mandam a voar, sem par

Janelas caras afora.

O grande céu azul

28/08/2009

me faz feliz, assim como suas cores monocráticas.

O sol quente
me insatisfaz, assim como suas mãos frias me aliviam.

O vento cortante
me atravessa, assim como seus olhos.

A chuva insistente
me acalma, assim como sua voz constante.

As cobertas confortáveis
me abraçam deliciosamente, assim como seus gestos afáveis. 

O riso infantil cristalino
me alegra também, assim como sua presença faz-me um hino.

A cor da prata
em meu peito reluz , assim como meu amor por você.

tudo muda, nada.

27/08/2009

Engraçado, por mais que nada fique igual eternamente, sempre pensei no ’sempre’, no definitivo. Meus amigos, parentes, escritos, lugares favoritos: imortalizados, sem mudanças pelo resto da vida.
Desde o primeiro instante que observo alguém, decido se será amiga, se não, se a amarei ou não. E, apesar de haver exceções raras, isso fica. Não consigo pensar de outro modo. Eu gosto de ter certeza.
Não me dá medo, não me apavora, não me angustía. É tão seguro, tão tranquilizante algo com a tarja “definitivo” que me aterroriza mais imaginar algo mutável. Mas, ao mesmo tempo, mudanças não me afetam tanto, às vezes gosto.

Eu sei, estranho.