- De novo, você está fazendo de novo.
- O quê?
- Essa sua mania de ficar olhando pro nada, ouvindo nada, completamente alheia.
- Algum problema?
- Sim. É estranho.
- Não fico “away” à toa, sabe. Se você também visse a quantidade de idiotas que nos rodeia, também iria desejar ver e ouvir nada.
- Pessimista. Nem todos são assim.
- Puxa, não custa nada você me entender. Apenas olhe ao seu redor, cheio de estupidez. Até mesmo os que parecem mais lúcidos, observe por mais de 15 minutos e verá todo o potencial para estúpidos. É frustante, sabe. E eu sou mais estúpida ainda por insistir em ver isso e só se agrava quando tento fugir, entrando em estado apático.
- Pare com isso, você não é estúpida, e poucos nessa sala o são também, eu observo, sabe, e conheço essa gente. De todos, você é a única que vive tentando fugir da realidade, isso não a torna estúpida, mas convarde. Por que foge tanto assim dos fatos?
- Você é um idealista. E se eu me escondo em meu mundo platônico, talvez seja porque eu veja demais a realidade, e saiba o quanto é rídicula e triste. Nunca pensou nisso?
- Imaginei. Isso não te faz bem algum, sabia?
- Eu sei. Até demais.



