E quando eu digo que amo mais de um, não que eu ame realmente, mais de um. Amor é um de cada vez, apesar de minhas mentirosas palavras. Digo essas coisas sem sentido algum porque tenho medo (de novo) de amar somente a uma pessoa, moldar e valorizar esse amor, cuidar dele, e por fim, me tornar parte dele e nunca mais esquecer. E nunca mais amar outro. O amor deveria ser parte de nós e não nós parte dele. E é por isso que procuro me distrair, procuro me mostrar que tenho outras possibilidades, que posso encontrar pessoas mais legais e que me amem também. Porque estou cansada de amar sozinha e ter esse conceito de exclusividade, que nem é correspondida.
Mas devo dizer: para amar a um outro, é preciso esquecer ou transformar o amor antigo. Pois, apenas “gostar”, “apaixonar-se” não basta, entenda. Você irá tremer, se sentir insegura, gaguejar, sorrir, sonhar, estragar tudo, fazer planos de travesseiro e todas essas coisas que você fez e sentiu quando começou a amar. Mas entenda, não é muito eficaz esquecer um com outro. Tento me convencer do contrário o tempo todo.
Mesmo que venha a ter outros sonhos, paixonites, preciso esclarecer para minha culpa interna de infidelidade: apesar de todos esses carinhos e distrações, nenhum é comparável àquele que sinto pelo mais lindo olhar da cidade. Nada é como o que penso, sinto e vejo quando estou perto dele e tampouco é como os laços que criei, a intuição e empatia que sempre tive com ele.
Mas por ora, ainda me sinto culpada. Por ora, odeio me sentir feliz por motivos semelhantes mas não particularmente os mesmos.
Penso que é porque me sinto longe demais.