Posts de Julho, 2009

why do I want to be like water

23/07/2009

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Eu quero ser como a água.

Eu sei que meu corpo é feito de água, e que preciso essencialmente dela para viver. Eu sei. Mas quero ser como a água, que se renova sempre. Que pode correr solta pelos rios, pode subir mais alto que pode, pode ir para o subterrâneo, pode conhecer lugares que qualquer outra substância jamais conheceria. Podemos nos cansar da água e fazê-la sumir, evaporar, literalmente. Mas ela não morre por isso, ela não some, realmente. Ela viaja para o limite do céu, vaga na nossa imaginação em forma de nuvem e então nos assusta com uma tempestade. A água pode decidir salvar algumas vidas, ou tirar outras. É totalmente vulnerável a mudanças físicas, porém ela que decide se o clima será mais frio, mais quente ou seja lá o que acontece mais.

A água, sem sabor, sem cheiro ou cor. Simples como a vida. Deus primeiro mandou que “nos mares houvessem todo o tipo de vida”, Ele sabia que o planeta aceitaria mais fácil a novidade se fosse na água. Ele sabia que a nova vida se acostumaria mais rápido no lugar mais agradável. Então, ordenou que a terra fosse também habitada, mas não deixou de privilegiar o território seco com o que garante um viver um minimo confortável e possível.

Ela é agradável, portanto. Muitas coisas dependem dela, e ela está sempre disposta a nos ajudar. Às vezes parece demais, mas podemos facilmente aceitar isso como generosidade. Eu quero ser como a água.

Também é ótima com disfarces e adaptações. Pode ser uma pedra quando é preciso, uma nuvem, se dividir em minusculas quantidades, vir em forma de neve ou simplesmente como líquida, mais fácil de lidar. Mil e uma faces, se faz clara na luz e camufla-se com o escuro. Sempre tem seu lugar, sempre o encontra e não tem dificuldade alguma de acostumar-se, seja viajando veloz em um rio, parada num lago, corrente em encanamentos, resignada no subterrâneo, livre no céu ou subjulgada no seu congelador. É poderosa, mas é humilde.

A água, é incrivelmente útil e essencial. Atua nas mais diversas áreas, desde a mais conhecida: a conservação da vida, até como substituta do petróleo nos poços. Ela refresca nossas cabeças, limpa as impurezas, relaxa. Sem cobrar nada por isso. Útil e de uma eficiencia incrível.

Há tantos outros motivos que eu poderia alegar para querer ser como a água. Mas o mais importante, que eu creio ser, é: a água pode curar tudo, até mesmo tristeza.

Eu quero ser como a água.

Persuasão

20/07/2009

Formavam um belo casal,
Até que ele partiu com a nau.
Ela passou a devorar livros,
Ele, a matar libertinos

Nunca se esqueceram dos momentos,
Passados juntos, na primavera.
Até que um único intento,
Destruiu o que tão belo era.

Anos depois, muitos muitos,
Só conseguiam dizer:
Stay away from me,
E não quero ver seu desprazer.

O mar mais profundo.

16/07/2009

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Eu tinha certeza que depois que aquela onda chegasse à areia, ele iria reaparecer. Mas passou-se uma, duas, três, quatro ondas e nada dele. Nem ele, nem aquele maldito pedaço de plástico colorido reapareceu. Enquanto estava sentanda na areia branca, sentindo toda a tensão do mundo na minha cabeça e membros, vi o quanto estava impotente diante daquela selvageria marítima toda. O barulho das pessoas correndo ao meu redor, dos gritos e preces era infimo diante da fúria do mar, que berrava em meus ouvidos como um hard rock pesadíssimo e sem melodia. Enquanto estava estagnada e impotente observando a cena toda se desenrolar, um helicóptero apareceu do nada no céu, agora encoberto por pesadas nuvens arroxeadas. Quando vi que os homens de vermelho voltavam para a praia com ar de derrota, conversando pesadoramente entre si, foi desesperador. Comecei a chorar convulsivamente, senti o gosto excepcionalmente salgado das lágrimas, que percorriam meu rosto recém-banhado.
Segundos que pareciam mais horas passaram-se, e tudo parecia em camera lenta: inclusive a cabeça vindo a tona do mar, no meio de uma onda distraída e sumindo logo em seguida. Ninguém mais pareceu ver aquilo, ninguém se importou, todos lamentavam o desaparecimento do surfista inexperiente no mar. Em questão de décimos, compreendi que aquela cabeça pertencia a ele, e que ele ainda estava vivo, que dependia de mim. Forcei-me a sair do topor pelo choque, levantei-me da mesma posição de uma hora seguida e corri para a água. Minhas pernas doíam, por estar na mesma posição por tanto tempo e meus joelhos protestaram por causa do esforço e da chuva gelada, que começava a atingir meu reumatismo.
Corri, desesperada. Com medo, muito medo. Medo de não conseguir, de chegar tarde demais, de acabar sendo engolida pelo mar junto com ele e as formas de vida ameaçadas pela tempestade que rapidamente se instalara. O helicoptero sumira a sabe-se lá quanto tempo do céu, e olhei para trás em última esperança de alguém mais te-lo visto, mas a praia estava vazia. Em um lugar bem longe do meu alcance, no meio do mar cinza revoltado, avistei um braço agitado: esperanças renovadas, continuei minha corrida alucinada para a salvação do desconhecido. Pulei corajosamente na água fria e violenta. Dei braçadas, obriguei minhas pernas agora dormentes a se movimentar, como nas aulas de natação que tomei, alguns anos atrás. Engoli alguns litros, mas não parecia me fazer mal. Fui surpreendida com uma onda, que me arrastou vários metros. Soltei o corpo de deixei a onda me levar, até perder parte da força, então voltei a me debater. Minha cabeça girava, meus olhos ardiam na busca do surfista, que agora poderia estar morto, e provavelmente me levando para o mesmo caminho.
Ah! Lá estava! O rastro, a prancha colorida quebrada. Ou parte dela. Seguia-se por vários metros, vários pedaços. A chuva me impedia de ver muito, e me assustei pelo vento não ter dispersado tudo ainda, em conjunto com o mar revolto. Evidentemente, estávamos em algum tipo de corrente marinha. Quase estagnei novamente: corrente marinha… sim, minha morte já estava traçada. A tempestade continuava a castigar qualquer coisa abaixo das nuvens, e eu e uma pessoa que nem sequer conhecia estávamos no único lugar no qual nunca deveriamos chegar perto. Nadei, ou melhor, lutei contra tudo para chegar no primeiro pedaço, depois no segundo, e assim sucessivamente. Depois de tanto tempo (ou apenas alguns minutos?) no meio da fúria natural, quase que eu fazia parte dela, me adaptei rapidamente. Logo, podia prever os movimentos do mar, a direção que o vento tomaria e a intensidade da chuva, que começava a diminuir gradualmente. Não me lembro, mas tudo parecia cinza demais. Meu joelhos violentados, desejavam ceder, ansiavam por descanso. Meus braços estava fracos e minha cabeça continuava a girar. Alcancei o último pedaço, e nada. A desesperança me atingiu mais forte que os raios que quebravam as pedras da baía. Insisti, mergulhei mais algumas vezes, vasculhei meu campo de visão: NADA.
Algo gritou dentro de mim, eu devia voltar logo para a praia. Como uma criança obediente comecei a lutar para voltar, sair daquela corrente que me arrastava para as rochas altas do recife. Mas continuavam a gritar dentro de mim, lá no fundo. Então percebi que não era dentro de mim que gritava, e sim fora de mim. Olhei para onde supostamente deveria vir esses chamados urgentes.
Avistei o desconhecido. Seus cabelos negros chamavam minha atenção, a pele bronzeada sinalizava que eu finalmente o encontrara. Não boiava, não estava desesperado, não tentava sobreviver, apenas resistia. Acenei para que ele soubesse que alguém mais estava ali, que continuasse vivo, que esperasse que logo eu chegaria, que eu tive a coragem de tentar o resgate. Juro que vi um sorriso relancear seu rosto, agora mais visivel. Assim que me aproximei (o que não foi dificil, já que estávamos na mesma corrente e ambos estavam intrincados na tempestade) o suficiente para tocá-lo, vi que estava agarrado a um pedaço da prancha dilacerada. Tentei gritar ou gesticular para nos unirmos e voltarmos à praia. Ele parecia não ouvir, e apenas sorriu, feliz por alguém tê-lo encontrado. Mantemo-nos perto por todo o tempo, já que não era possível nadarmos de volta. Esperamos, pacientemente a fúria cessar.

De mãos dadas, chegamos à terra firme. Era muito estranho, depois de tanto tempo na água, sem algo no qual se firmar. Exaustos, nos derrubamos na areia fria e macia. O sol apareceu, como um pai protetor e quente que vem dizer que estava tudo bem. Não havia espaço para sono ou cansaço, apenas uma terrível apatia e violentos espasmos por todo o corpo. O choque por estarmos vivos nos limitou a apenas nos olharmos. Eu, admirava a pele bronzeada, os cabelos negros grudados, os olhos escuros profundos e a boca de meu querido desconhecido que antes havia se contraído em sorriso ao me ver no meio do caos. Ele, me olhava como um ser de outro mundo, de um lugar que provavelmente os deuses residem e cheio de gratidão por tê-o salvado, por tê-lo dado esperança e força para continuar a movimentar os praços e pernas de modo a sobreviver. Os pássaros passaram rente aos nossos corpos, que agora tremiam pelo frio, apesar do sol. Tínhamos que sair dali, procurar um lugar melhor, ajuda para a recuperação. Porém, não haviam forças.
E continuamos a nos observar silenciosamente até que o crepúsculo veio, e na noite ainda podíamos nos ver, eu conseguia distinguir os traços harmoniosos. E, iluminados pela lua cheia alta, o sono veio. Veio arrebatador, não pude, não tentei resistir. Juntos, sintonizados, fechamos os olhos nos entregando ao descanso. E juro, por toda aquela santa areia acolhedora, por todas as ondas que enfrentei, que vi um sorriso perpassar o rosto salgado daquele rapaz, e era um sorriso mais quente que o sol, mais claro que a lua que brilhava com força no céu escuro, tão escuro e profundo quanto seus olhos.

O que esperar das aparências

13/07/2009

Tudo uma questão de aparências. Depois de um pouco mais de reflexões, pode-se concluir que é o que aparentamos ser, o que deixamos de aparentar que constitui nosso juízo de caráter alheio. Melhor dizendo, é reciprocidade o que se trata. Pense, se somos indiferentes à uma pessoa, nunca desconfiaremos de nada mais que a própria indiferença vindo de tal. Se a odiamos, veremos em cada ato uma atitude reopugnante com o único intuito de prejudicar a si ou a outro. Cada palavra é desprezível e não merece consideração. Portanto, se amamos a álguém por mais indiferente ou aversa a você que essa seja, veremos em cada atitude uma afeição, mesmo que reprimida. Vemos a conquista a olhos vivos, mas nada acontece. Mesmo um “eu sou indiferente à você” ou “eu te odeio” é visto como algo bom, muitas vezes ouvimos um: “eu te amo também, mas não quero dizer isso”, por mais terríveis que sejam as verdadeiras palavras. Inicialmente, somos iludidos com isso, depois percebemos a cegueira e nos deprimimos por sermos tão burros.
Mas o que realmente quero dizer, apesar de ter me demorado na questão amor, é que vemos tudo do jeito que sentimos ou pensamos. Nada esperamos das pessoas que não faríamos também. Resumindo, se coloca muita confiança nas pessoas, sinal que essas pessoas poderiam confiar igualmente em você. Caso contrário, poucas pessoas merecem sua confiança, somente aquelas poucas pessoas podem confiar inteiramente em você. Meus queridos, estão entendendo o que quero dizer com a inerente simplicidade infeliz de palavras?
Reformulando a máxima anterior: esperamos das pessoas somente o que elas podem esperar de nós.
Não é questão de confiança, amor, ódio, indiferença ou bom senso. É questão de auto-conhecimento.
Idiotas, claro, não esperam das pessoas idiotices, mas esperam as mesmas atitudes que os tornam idiotas. Espertos esperam atitudes sensatas ou maliciosas, dependente do pretexto.
Todavia, como disse inicialmente, é uma questão de aparencias. O que você parece demonstrar pensar ou sentir guia algumas condutas alheias, favorável ou não.
Não posso, entretanto, dizer que essa vã filosoofia se aplica a todo tipo de caráter. Exatamente pelo fato de haverem tipos de personalidades, que tornam as pessoas diferentes em seus pensamentos, ações e sentimentos.
É, portanto, um ótimo jeito de se avaliar. Pense no que você espera das pessoas e se é isso que elas devem esperar de você.

03/07/2009

Perder é díficil. Poís só perdemos o que já tivemos e por alguma ironia ou imprevisto não temos mais.

Pior que perder é sentir falta. Pior que perder é conviver com essa falta por longos anos.

Melhor que perder, é saber que encontraremos novamente, algum dia.

Deverei lamentar mais, chorar mais. Mas nada sinto. Não sou insensível ou forte, mas sei que minha parte foi cumprida: fiz o que pude.
Tampouco, irei dizer que não sentirei falta. Já sinto, muita. Mas resignação é uma coisa engraçada e deixa tudo mais fácil.

“Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa” Tiago 4:14

Saudades, vó.