Posts de Junho, 2009

Desânimo

29/06/2009

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Já tive, e tenho, muita letargia.
Preguiça e apatia total. Nada me surpreende, nada me impressiona, nada me anima. É desesperador, sabia?
Estar no meio das pessoas, tentando se curar, mas desejando ao mesmo tempo mais do que nunca estar na cama, bem segura e imóvel debaixo dos cobertores. Para ser honesta, desejo isso quase o tempo todo, no inverno o diferencial é que alguma bebida quente (chocolate quente) acompanha, mas de canudinho.
Esse desânimo todo pode ser justificado por hormônios. Ou falta deles. Mas, como a boa perfeccionista complexada que sou, não admito ser isso. É falha minha.
A letargia é estranha e incoveniente. Até hoje a cura é procurada. Os tratamentos viciam – cafeína.
Cafeína, energéticos. Não sei se é psicologico. Realmente, me dá um pouco de ânimo. Por vezes, fico elétrica.
o problema, é que já estou viciando. É muito suscetível. Antes somente uma, agora duas xícaras perday. Terrível.
Pato Fu, como sempre, parafraseando: “tomo um café, um guaraná, pra me animar. Mas ficou tão tarde, que é melhor deixar pra lá.”.
Desânimo até para preparar o café.

28/06/2009

Não direi que você precisa de mim, você realmente não precisa. Mas, ora, sentirá minha falta muito brevemente. Verás, que se eu não estivesse ali, naquele momento, seria tudo sem graça. Vais ver que levo um pouco de ‘diferente’ para a sua vidinha preto e branca.
Você nunca poderia ser isso que é agora, se mim. Ahn, não é presunção, é fato. Não mudei tudo, mas a pouca parte importante.
Sabe, me usastes para satisfazer tua própria vaidade, como todos nós fazemos muitas vezes. Mas todos nós aprendemos que ao final, nos tornamos dependentes dessa vaidade, dessa massagem diária no ego. E é por isso que sentirás minha falta. Pois depois de mim, poucos estarão dispostos a te tratar com mimos e atenção.
Não poderia ter sido diferente. Somente que, poderíamos ter aproveitado melhor esses 7 meses juntos. Mas é até melhor que esse ‘nada’ tenha perdurado. Não queria ter que deixar ‘alguma coisa’ para trás.
Sou egoísta o suficiente para não ser capaz de passar despercebida em uma vida, que tanto importou para mim. E ainda importa.

E imagine se eu não te amasse.

lagos, rios e mares.

25/06/2009

Bem, seus olhos estavam mais claros hoje. É o dia chuvoso, que deixa tudo mais pálido e as sombras mais escuras. Por isso gosto de nuvens.

Mas como ia dizendo, os olhos cristalinos de lago virgem não paravam um minuto. Eram agitados, o céu que não parava de mudar. Por vezes, passavam por mim, e não sei se o tempo que parava ou se ele se demorava mais. A boca larga, fechada como que casualmente, me dizia algo, me convidava. Ah, frustração, estava longe!

É assim, distante. As mãos, o cabelo macio, as palavras, a voz: longínquos.

Pesares à parte é lindo. Sempre digo isso, lindo. Inimaginavelmente agradável. É… talvez eu possa atravessar o rio de pessoas, barulhos, dias, água e sujeira entre nós, e mergulhar, penetrar naqueles olhos cristalinos. Sujá-los com o barro dos meus, com a minha escuridão, e me mesclar nesse brilho intenso. Ganhar dos lábios pálidos um pouco de sabor para minha boca escura de batom, e das mãos o calor que não tenho.

Ah, não é um rio, é um mar. Agora que vi. Observar apenas me faz bem, sabe-se lá que monstros se encontram além do Bojador.

TheEnd/Escape

23/06/2009

Tudo, TUDO acaba e uma hora fugimos disso. Fugimos de despedidas, fugimos de ficar. Fugimos do cinema antes dos créditos terminarem, deixamos restos no prato para não vermos o fim. Para ser sincera, odeio fugir, e minha vida é uma eterna escapadela. Coloco limite a tudo que não quero ver o fim, termino com tudo: fugindo. Sou infeliz por isso? Não, certamente, como mais de 90% da população mundial. A verdade é que é preciso ser muito, mas muito rápido para acabar antes de se tornar chato.

Quero ir embora logo, quero logo deixar esse lugar que me faz tão bem e me agonia ao pensar deixar toda a história para trás. Nunca pensei desse modo de lugar algum, sempre ansiosa para seguir meu rumo nômade, deixando poucos e efêmeros amigos. Infelizmente, me apeguei ao único lugar que não deveria. Tenho medo de não conseguir me despedir, de nunca mais ver quem/o que tanto me marcou. Tenho medo, sempre tive, e é só o medo que me faz chorar. Por ora, não me arrancam lágrimas, mas tenho certeza que nelas de desfarei no momento crucial, e talvez penetre mais no chão sujo.

O que mais nos atormenta, claramente é o fato de que por mais que fujamos, caso retornemos, nada estará igual. A vida continua para todos, fato. E por mais que ali seja o fim de um parágrafo para um, é apenas o começo de uma frase para outro. Uma vida é só um capítulo, desculpe não um livro. O ápice é tudo mudar, ou continuar do mesmo jeito: qual será mais terrível?

Quero voltar, mas não quero ver o que mudou durante minha ausência. Quero tudo do mesmo jeito de quando parti, todos a me esperar, de preferência. Quanto egoísmo.

Na verdade, despedidas são todas iguais, cheias de lágrimas e chuva. Finais são doentes terminais, rejeitados aos cantos dos hospitais, mas uma hora ou outra, eles passam por nós e nos deixam apenas seu cheiro podre e palidez.

22/06/2009

Com vontade de escrever. Não quero escrever sobre amor, relações, sociedade, crianças, existência, sobre escrever. Enfastiei-me do céu azul, das nuvens cinzas e do sol amarelo. Cansei-me de personagens indolentes e cegos. Entediei-me de infâncias e pessoas. Quero muito aquele texto que simplesmente surge na mente e ao passá-lo em letras, seja delicioso. Os textos que escrevo desvairada e quando re-leio tempos depois, não parecem meus: mas são.
É isso que quero. Desejo músicas suaves e animadoras. Desejo desenhos, como me faz falta desenhar! Quero minha impressora de volta, quero poder tocar nas palavras selecionadas. Quero ter uma coisa extraordinária a dizer. Mas nem posso descrever as velhas sensações, já o fiz. Não posso criar. Não posso ver.

Tento fazer textos reflexivos, mas sempre acabam sem sentido e com aquele “quê” de frustração.

Sempre frustrada.