Posts de Maio, 2009

Gramado

26/05/2009

Aqui é maravilhoso! o hotel é um delícia, super confortável e com temática cinematográfica. as casas, comércio, TUDO de arquitetura européia. Árvores E árvores from north. Aos meus amigos, levarei a grama de Gramado: folhas da bandeira do Canadá. *-*
Já me recuperei dos desastres e enjoos ocasionados pelo voo até POA. Estamos praticamente sem dinheiro. Ontem gastamos a mais, pois estávamos com fome, mas as coisasextras do hotel são terrivelmente caras. :s Já planejamos trambiques e truques envolvendo a minha mochila e habilidades de persuasão.
oks, agora vou dormir um pouco. Me recuperar do extasiante breakfast e depois ir nadar na piscina aquecida do hotel. Siiiiiiim, estou amando o fato de ser 10 da manhã e a temperatura estar a 18ºC. Caminhamos agora há pouco pela avenida, sem blusa. Desciam dos ônibus turistas encapotados de blusas, botas, cacheóis e etc.
Chega de me exibir, mas realmente, estou amando. Há tempos que não ria tão sem motivos.
Quando puder, atualizarei.
I <3 Gramado.

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Aqui o céu e cinza, o sol mal se vê; o vento é constante e a neblina presente. O frio intrometido e intrisessecante. As árvores são laranjas e a grama verde brilhante. As ruas são cor de aluminio, e a noite brilha no neon. As mulheres são loiras e altas, nenhuma magrela. Os homens, cabelo preto, pele muito clara, muito altos e nenum magrelo. São apenas saudáveis.E cada palavra pronunciada por esses homens e mulheres é uma palavra bem falada em um sotaque encantador e contagiante. São palavras em voz baixa, no tom educado digno de Cortes vitorianas. A questão de moda é indiscutivel. Roupas de inverno são todas lindas e elegantes, impossível ser brega ou muito simples vestido para o frio lascante de fora.
Eu já ate me acostumei com a paisagem, me é familiar.

não acontece

24/05/2009

Eu gosto de conversar com ele, e ele comigo. Temos os mesmos gostos. E é estranho: sempre em voz baixa, silêncios não-constrangidos ou incômodos, olhas que transmitem mais informações que as palavras. Perguntas petulantes que são imprudentemente respondidas. Parecemos querer guardar qualquer coisa engraçada, diferente, entre nós; como que um segredo – algo só nosso, que somente os dois podem ver e sentir.

Ele é meu refúgio, minha toca escondida no meio de tantas plantas e animais venenosos, o melhor jeito é me esconder na escuridão de seus cabelos.

Procuro em outros rostos seus olhos escuros profundos e brilhantes, mas – de você -, só encontro a antiga indiferença, dessas faces indiferentes.

Recaída

21/05/2009

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Porque isso sempre acontecia. Quando finalmente sentia-se bem, lá estavam aquelas coisas constrangedoras para lembrá-la que nunca o deixaria de amar. Pois sim. Por mais que Ana Paula se divertisse, se distraísse, superasse e ignorasse quatro meses de sua vida, tudo aquilo com que ela sonhou acontecia. Ou quase tudo.
Eram ocasiões únicas, que, impulsionados pela covardia, nada faziam. Podia ser um olhar mais longo e intenso, que a enrubescia, que não conseguia sustentar. Nem mesmo um novo namorado, ou pseudo-namorado resolvia. Já não estava desacompanhada, nunca. Fernando sempre estava ao seu lado, não fisicamente, claro, poucos minutos semanais possuíam, mas em sua fértil e infeliz imaginação. Conhecia-o tão bem, tão a fundo, por atenta observação e convivência. Sabia, ou previa cada palavra, cada gesto, cada expressão; podia ouvir sua risada, a entonação de sua voz e seu jeito de andar. Sem dúvida, muito melhor seria se o tivesse em carne, osso e alma ao seu lado, realmente realizando todos esses atos minuciosamente imaginados. Sem dúvida, muito melhor seria. Mas se conformava com sua presença irreal, e acreditava que com isso, a saudade do que não se teve, fosse suprimida ao menos. Ana Paula: obcecada por Fernando (parecia estar escrito em sua testa).
Ora, pensava ela, só se apaixonava por pessoas estranhas e com alguma síndrome. Talvez o problema fosse ela. Não, o problema era ela, sempre foi. A única pessoa com alguma síndrome era ela: Síndrome por Síndromes. Muito criativo.
Desconfiou de ciúmes. Desconfiou que estivesse apenas perdendo tempo com as pessoas. Estava certa, perdera tempo demais, oportunidades mil. Afastou-se de seus supostos pretendentes que geravam fofocas. Afastou-se também daqueles que não geravam nada mais que flertes nas noites claras.
Chegou a seu auge de aflição quando trancafiou em uma sacola escondida em algum lugar esquecido todas as lembranças palpáveis de Fernando, seguido de uma limpeza total em seu computador. Então, chegou a seu auge de nostalgia quando passou a escrever longos textos sobre como era para ter dado certo, sobre como era uma bela história inacabada, contos sobre pessoas que se desencontraram, palavras de depressão, animação, suspiros perdidos e poemas sem nexo. Não contentada por apenas escrever, procurou leituras e músicas. E os transcrevia para um caderno que separara para coisas inesquecíveis. Outro objeto inútil, agora continha lembranças alheias, letras de canções, e seus próprios textos. Ria de si mesma.
Ele conseguia a confundir ainda mais. Sempre assim. Cansou-se das indiretas não entendidas, cansou-se das rejeições inconscientes, cansou-se de ser a amiga leal. Respirou fundo e decidiu apenas uma vez: Uma pena, um desperdício enorme, algo que será incompleto eternamente, e aquele enorme ponto de interrogação; mas já fizera tudo que lhe era possível, certo? Pois então, agora era a Bela Adormecida. E acabara de ser espetada por uma agulha afiada e encantada. Esperaria pela atitude do Príncipe Encantado. Era a vez dele, ela já o conhecera já se apaixonara. Mas não sabia se outro apareceria se talvez um simples plebeu se dispusesse a salvá-la. Príncipes não são todos fortes e galantes. Tampouco o seu era. Péssima metáfora, assim por dizer.
Ora, ele que largasse mão de ser indeciso e reticente! E ela que aprendesse a esquecer as pessoas intangíveis de uma vez.
Concluiu o que sempre estivera certo, o que tentara dizer em todos os seus textos perdidos: Ana Paula era covarde demais para tomar alguma atitude drástica.

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Dentre todos os textos da série, esse é o mais rídiculo e repetitivo. Finalmente cheguei ao ponto que ‘empaca’ tudo. Nem preciso falar o quanto foi horrível escrevê-lo, simplesmente porque a imaginação estancou e a habilidade com palavras se perdeu. Então, a série Fernando&AnaPaula encerra aqui mesmo. Nessa porcaria que nem eu nem ninguém gostou. Se aparecer algo massa de lecals (o que não acontecerá) para dar um final decente, escreverei e postarei aqui imediatamente. Então, a descargo de consciência, declaro (a meu único leitor) que it’s over. (y) Tenho que me conformar que não haverá um final feliz ou um jeito de tudo dar certo pra esses dois desencontrados. Não consigo desenvolver a história.

20/05/2009

- Então, é uma despedida. Abrace-me, talvez nunca mais nos vejamos.
- Ah, sim. Que pena…
- Vou sentir sua falta.
- Não terá saudades então?
- Vou sentir sua falta. Saudade sempre tive.

(momento oportuno para alguns esclarecimentos, mas isso não acontece, pois ambos são covardes)

- É. Vou sentir sua falta também.

(à minha irmã, que não verei mais por algum tempo)

diálogo esquecido

11/05/2009

- Mas quando nos conhecemos você mal olhou para mim.
- Ledo engano. Conversava olhando nos olhos.
- Quando isso? Não me lembro.
- Dia 22 de novembro do ano passado.
- E você se lembra da data?
- Sim.
- Não me lembro.
- Provavelmente não. Porque não era realmente você.
- E quem era então?
- Você… em descanso de tela, piloto automático, seja como for.
- Faça-me rir! Não pode ser. Minha memória é boa. E você não era insignificante, nunca foi!
- Quando as pessoas nos são insignificantes, desimportantes, não nos atentamos à elas. Então, elas podem estar na nossa frente dançando tecnognomo com uma melancia no pescoço que não realmente prestamos atenção. Então, nosso sábio cérebro, apaga coisas passageiras e monótonas. Acontece com todos.
- Não aceito isso. Eu me lembro de você desde abril do ano passado, quando nos vimos e você abaixou a cabeça. Mas apenas nos víamos; sei que são lembranças bem… distantes, como se tudo estivesse embaçado, entende? Depois conversamos pela primeira vez e você manteve o olhar em qualquer outro lugar, menos em meu rosto. Isso em dezembro!
- Também me lembro de ter te visto pela primeira vez em abril. E me lembro que a primeira conversa, foi em novembro, e que eu falei primeiro. E você foi monossilábico, porque para você, eu era apenas a menina que abaixava a cabeça quando você passava. Então, somente em dezembro, quando alguém disse algo constrangedor sobre nós, que você passou a se importar comigo. Porque eu passara a ser um problema.
- Sim, me lembro dessa conversa. Minhas memórias nítidas começam com aquele comentário infeliz.
- É um pena. Por isso que temos tantos meio-conhecidos e pessoas que nos conhecem, mas nunca vimos mais magras. Porque não nos importamos, mas elas sim. Porque desde o primeiro momento que elas nos viram, nos tornamos um problema, algo que incomoda ou marca a vida dessas pessoas. Mas elas não têm o mesmo efeito na nossa, por isso não nos lembramos e continuamos nos preocupando e não-resolvendo nossos próprios e egoístas problemas.
- Por isso que você é atenciosa com quem mal se lembra?
- Talvez eu me lembre, mas não saiba.
- Sempre escapa alguém, admita. Por mais gentis que sejamos, sempre machucaremos alguém com essa nossa distração e memória curta, portanto. Ainda mais nós dois, que temos a desatenção em níveis mais altos, excepcionalmente.
- Você me endeusa se pensar que não firo as pessoas de algum modo. Somos todos, querido, instrumentos letais e precisos quando nos descuidamos. Não mereço esse pedestal; ninguém merece, nem mesmo você.
- Não mesmo. Definitivamente.
- Sim.
- E desde quando, então, eu passe a ser um problema para você? Quando começam suas memórias sobre mim?
- Desde sempre.
- Até mesmo antes de abril?
- Sim.
- Me explique.
- Se não sei os motivos, como vou explanar?
- Então como você sabe que sempre se lembrou de mim?
- Talvez eu sonhasse com você. Como vou saber? É uma espécie de intuição.
- Intuição? Pensei que isso não existisse.
- Você acredita em anjos, e não crê que eles possam nos passar mensagens, sensações? Não crê que Deus possa nos transmitir as coisas de alguma forma, como quando ocorre com a inspiração para a arte, escrita, resolução de um cálculo, ou alguma ideia espontânea?
- Talvez eu creia… Sim, acredito nisso. E isso é intuição então. É preciso sensibilidade, me falta isso.
- Você é mais sensível do que parece. Todos são, mas algo nos impede de perceber isso. Talvez a ideia de que não somos receptíveis, capazes para percebermos e observarmos melhor o que acontece à nossa volta.
- Você fala demais.
- Eu sei.
- Eu pergunto demais…
- Eu sei. E devo dizer que…
- E você sempre tem todas as respostas.
- Apenas para as perguntas certas.
- E quais são as perguntas certas?
- As suas.

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