Escritores produtivos são aqueles que conseguem, por alguma força oculta e misteriosa, encarar o papel em seu âmago, visualizar fixamente a “página em branco” no Word, sem obscurecer a vista e tomar-se por uma letargia à escrita irresistível. Todo o texto está lá, pronto. A memória é o suficiente para lembrar-se de toda a construção, a imaginação ajuda, acrescentando detalhes coerentes. E lá está a história! Um, dois, três, quatro capítulos… um livro! Pode ser dificil, mas se chega ao final, e tudo tem um sentido.
Mas nós, pobres mortais nada funcionais ou produtivos, mal conseguimos passar dos primeiros paragráfos. Quatro páginas é um marco, quisera passar das seis. E mesmo quando já se tem o enredo completamente pronto, esperando apenas por ser adornado e transformado em letras pretas, alguma coisa se perde nesse processo, e lá se vão mais ideias. Lá se vai uma bela história. E a nós, sobram as crônicas, os contos, a poesia e os fragmentos, estes que são retratos daqueles épicos mentais.
Posts de Março, 2009
Aos escritores (que não escrevem)
30/03/2009várias de minha imensa história inacabada
25/03/2009“Bom, naquele dia você não tem ideia de como eu gostaria de ser uma pessoa que lhe animasse, que lhe passasse tranquilidade, tal qual o efeito que você causa em mim: sempre consegue me acalmar, só com a simples presença. Eu adoraria ser uma dessas pessoas especiais, que sempre sabem o que dizer ou mesmo em silêncio conseguem fazer parecer tudo melhor. Admito, minha maior frustração é não ser alguém necessária na vida de outro alguém. E meu maior desespero, é, mesmo me esforçando, não conseguir nunca ser o que você precisa, meu caro. Minha preocupação e feitos não lhe são muito relevantes. Para você, sou apenas mais uma que perde algum tempo da vida partilhando da sua, mas sem grandes importâncias. É indiferença beirando a rejeição. E isso tudo não me afeta mais, ou é disso que venho me convencendo há algum tempo. Então expresso meu maior desejo: liberta-me para que eu me faça necessária à vida de outra pessoa que realmente precise de mim, e eu precise dela.”

“Ah, como minto mal! Mal consigo esconder o contentar, o encantar e a confusão que se faz em meu cérebro a cada vez que tento pensar em ti. É triste, é patético e rídículo, mas é a verdade. Por alguma infeliz ideia do destino, deixei-me amar. Deixei de me amar. E por incrença que parível, ainda não me fez todo o mal que esperei desde o principio.”
“E nesta noite tudo estava escuro, e dei graças à Deus, por estar escuro. Se o manto da noite não cobrisse meu rosto, de certo eu enrusbeceria. E a noite escondeu os olhares de entendimento trocados e minha expressão de confusão, certamente. Era tudo lento demais, fácil demais. Estava me enfadando. Realmente, não sei o que me ocorreu, mas talvez a desistência não fosse tão ruim, no final das contas. Não se isso me ajudasse a quebrar todos aquele 200km em apenas 2km. Mas ainda assim, eram milhas e milhas de distância fria e invisivel, terrívelmente transgredida ocasionalmente por alguns contatos a mais. E foi fácil mentir com a luz não denunciando meus olhos e minha face, com toda aquela felicidade. O vento era tão frio.”
“Não sabiamos o que fazer. Sei que tentei continuar falando, mas nada mais me ocorria a falar. Era inutil falar sobre o tempo, já haviamos discutido a fundo isso. Era inutil falar sobre o fim de semana passado, que ambos preferiam fingir que nunca havia acontecido. Inutil conversar sobre televisão, não assistiam, e o pouco que viamos juntos também já fora amplamente analisado. Não falavamos sobre música, velhas divergencias. E todos os assuntos, pouco a pouco foram se esgotando, foram sendo explorados e dissecados em poucos minutos (que mais pareciam horas). Resignados com o silêncio confinado, permanecemos calados, espiando um ao outro discretamente, enquanto esperávamos o tempo passar e aquele espaço deixar de ser divido por duas criaturas tão gélidas.”

“Pareciam formar um belo casal, mas algo no conjunto impedia as pessoas que concretizar isso mentalmente. E parece que a força da mente coletiva alheia era mais forte do que duas.”
“Posso não ter sofrido em toda minha vida tanto quanto você, mas pude sentir sua dor. Empatia não é uma coisa exatamente boa. Não se pode demonstrar que compatilha dos mesmos sentimentos e penalidades. Mas quisera eu, poder tomar tudo isso só para mim, e livrar-lhe de todos esses pesares pesados.”
“E toda a história se resume numa situação incomoda. Lembra da metáfora real: o ônibus, uma viagem breve. Eu ao fundo, sempre atrasada. Você à frente, sempre correto. Observo-te a viagem toda, mas sempre procuro não perder a paisagem, que é bela e eu amo. Você, olha-me às vezes, incerto se deveria mesmo virar-se para trás. Então, sempre disfarçando, sempre se escondendo, me observa. Porém eu perco alguns lances de paisagens, você não. E nenhum dos dois tem coragem o suficiente para se levantar. E asim, a viagem termina, descemos do ônibus e não nos esperamos no lado de fora. A esperança fica para a próxima viagem, que não acontecerá, pois logo faremos parte da paisagem. Não mais do que passageiro.”
“Não sei porque esperei por tanto tempo que você batesse à minha porta. Jogasse pedras à minha janela ou me parasse no meio do caminho, já vermelho por correr e dissesse que gostaria de me mostrar o pôr-do-sol. Que gostaria de me mostrar seu livro preferido, de escutarmos sua música preferida, de saber porque te encaro tão intensamente e leve, porque não consegue ficar muito tempo perto de mim sem se pertubar. De dizer o que sente quando me vê, ou como se fazem origames. Tenho milhões de perguntas, mas antes responderia todas as suas, de bom grado.”
“Não falaria se ele não tomasse a iniciativa. Então, ficariam para sempre apenas como amigos. Talvez nem isso.”

“(…)”
ilusion
23/03/2009Ele não sabia exatamente o que estava fazendo ali. Era como se estivesse em um sonho, rodeado de árvores européias, pássaros, grama e água negra. Sentia-se extasiado, tonto com tudo aquilo. Como fora parar ali? Andou por alguns metros, talvez quilometros e a paisagem nunca parecia mudar. Andou até suas pernas cansarem e se arrastou à beira do lago, seu corpo implorando por água. O sol estava encoberto por finas nuvens, o que era um alívio. Batia uma brisa suave o tempo todo, e das árvores emanava um frescor de cheiro indescritivelmente refrescante. Mas ainda não era o bastante. Conseguiu chegar na água, mas esta não lhe saciava a sede. Decidiu esperar um pouco, deitado na relva extremamente verde e macia. Sonhou, sonhou, sonhou. Quando pensou ter acordado, lá estava, ainda naquela paisagem, naquele quadro… preso.
Pontuação
23/03/2009Bela tarde de segunda me livrandos das culpas vou dormir como ainda tem muitas coisas a fazer mais tarde aproveito o pequeno descanso ouvindo boa música Lá pelas quatro e meia sou obrigada a acordar de meus sonhos dessa vez consegui chegar à porta mas não consegui ainda me conceber dentro do recinto no qual não estão exatamente as pessoas que eu gosto Ainda não me conformo por estar com dor de garganta certeza que deve ter sido algum virus de alguém mas não me lembro exatamente de pessoas espirrando diretamente em mim Ligo o som no último disposta a começar alguma faxina ou ritual Olho meu celular uma chamada perdida Então tudo acontece ao mesmo tempo batem no portão e o telefone toca Vou atender a porta com o telefone no ouvido ainda Eram limões dos dois lados se é que me entendem Preparo um pequeno lanche escuto música penso penso penso devo ligar agora
Talvez em outra tarde
21/03/2009
De inicio doeu e ardeu como se uma flecha de ódio fumegante houvesse me trespassado. A raiva subiu aos meus olhos em forma de lágrimas e lembro de sentir meu coração cessar os movimentos. Já não respirava. Incrível o que uma frustração pode desencadear. Não conseguir ter uma conversa direta me irritou. Ver você se afastar me decepcionou. Não conseguir fazer nada a respeito me deixou realmente aborrecida.
Se eu te amo tanto assim, porque não tenho o direito de ter ao menos uma conversa completa contigo?
Todos meus erros. Eu posso fazer melhor… posso sim! Mas nem tenho chances de fazê-lo. Nem tenho chances de tentar. Ah, como isso me deixa louca!
Apenas posso ouvir falar de você. Apenas posso concordar ou responder àlgumas perguntas acerca do que acontece-lhe. Nada mais. Mais que isso, seria simplesmente me declarar tão abertamente, constrangendo não só a meu cadáver social, mas ao meu objeto de paixão.
Dormir me acalma. Chorar me acalma. Mas não resolve, não enquanto for escondido, aos cantos. Não enquanto você não me vir desesperada como estou e perguntar o motivo, me consolar. Nesse dia talvez resolva.
Mas cadê minha coragem para tal??


