Durante o Jardim da infância nunca fui muito saideira da sala de aula. Simples: gostava de fazer os exercicios e existia uma espécie de competição entre mim e meu único colega da antiga “Alfabetização”, ou “pré”.
Além do mais, acredito que meu metabolismo era mais lento e ajudava o fato de eu não beber muita água.
Quando passei para a 1ª série, fiquei mais metida e mais quieta ainda (eram horas pra conseguir decorar a tabuada e fazer as complicadas atuais contas com três números).
Foi-se um dia em que corri demais durante o intevalo e consequentemente bebi muita água. Já imaginam o que vem a seguir, né?? É, só que só tive vontade de “ir tirar uma água do joelho”, assim por dizer, quando já estava dentro da classe. Pensei: “vou esperar um pouco, a professora sempre briga com quem entra na sala e já quer sair de novo. Vou terminar essas três páginas e já peço. Guenta aí!”
Mas, do nada, a dita cuja da professora começou um discurso com um colega que tinha pedido para ir no banheiro (ou beber água? Não sei). E o seguinte discurso:
“Que absurdo! Vpcês querem é muita liberdade, né? Nunca terminam as lições, ficam conversando e ainda querem sair, cinco minutos depois do recreio! Olhem a Heloísa (levanto a cabeça assustada) ela nuuuuunca pede pra sair!!! Sempre que precisa vai durante o recreio, aposto! E ainda acaba sempre todos as lições dentro da classe! Vocês deviam seguir o exemplo dela! Blá blá blá”
Ok, confesso, sempre odiei broncas que me usam. Tentei ser uma boa aluna, mas não é pra dar lição de moral em ninguém, só porque eu quero, uai. E me imaginem com 6/7 anos, apertada pra ir no banheiro e vermelha de vergonha da classe toda estar me olhando. Quando ela me começa a falar eu estava quase levantando.
Desta vez, descobri como é engraçado certas situações, apesar de eu não achar nada engraçado, eram minutos até eu ir embora chorando com as calças molhadas.
Mas teve um final feliz. Minha bexiga se expandiu e pude falar com a fessora mais tarde.


