Posts de Junho 12th, 2008

Conto de calor

12/06/2008

Um dia, Lidia decidiu que iria largar tudo e casar. Tudinho mesmo!
Ia deixar seu estúdio de tatuagens, seus pais, amigos, resto de família, clientes e fugir pra Manaus e se engraçar com qualquer índio.
Como percebe-se, falta o noivo.
E ela o fez: fechou seu negócio de 5 anos. Cobrou clientes, e deu um aceno pros queridos. E foi-se. Pagou “os olhos da cara pra ir pro mato!!” de avião (tem que ser rápido).
Chegou bem na capital Amazonica. foi de botas, esperando chegar já no barro e em de enfrentar uma cobra venenosa qualquer.
E adivinhe: o lugar era civilizado!!
Tinha prédios, ruas, asfalto (olhe só!), comércio e um aeroporto ajeitado até!. Pessoas de todas as cores e cabelos. Todos os tamanhos e costumes. Mameluco, mulato, branco, negro, indio, blá blá blá.
Se hospedou num hotelzinho ajeitado, com uma vista pro comércio agitado que tem. Era outro país.

Não que fosse outro país mesmo, mas acho que os caros leitores entenderam. Vamos cortar logo essa história.

Lidia acordou durante a noite com um barulho, um ritmo. O jovem dono do estabelecimento (que segundo fontes era filho de um holandes fugido com uma indiazinha) disse que era Lua Cheia e uma certa tribo fazia festa, mas parece que hoje estrapolaram um pouco, é sempre bem calmo por aqui durante o mês inteirinho.
– E é bonita, a festa?
– ô se é, menina! Já viu coisa de índio num ser?
– É que sou lá de São Paulo, não conheço nada.
– E veio fazer o que aqui, ein? É mais uma daquelas ambientalistas ou reporteres?
– Nada disso.
– Então veio pra ver o Solimões? Passeios de barco são meio perigosos, se quiser te digo quais são os melhores por aqui.
– Vim pra casar, moço.
– Casar, é? então volta pra São Paulo. Teu noivo já deve de ter ficado com outra mulher daqui, todas lindas, viu?? hahaha
– Uhum. Vou ver a festinha lá e já volto.
– Mas é…
E não é que são todas lindas, as mulheres, mesmo? Morenas, cabelos pretos e lisos e com um “bronzeado” maravilhoso. E todas (ou quase todas) casadas. Ê mundo bom de acabar.
Acabar sem a protagonista casar.